Aphros-Wine

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O projeto começou sob o nome comercial Afros, rótulo fundamentado em Afrodite, a deusa grega do amor e da beleza, padroeira de um projeto original que entretanto cambiou para a denominação atual, Aphros. O projeto saiu do empenho pessoal de Vasco Croft, arquiteto de formação que apesar do apelido familiar não alega qualquer relação de parentesco com a casa de Vinho do Porto homónima.

 

Apesar de lisboeta, Vasco Croft cedo se habituou a visitar a quinta da família nas longas férias de verão, período durante o qual aproveitava todas as oportunidades para se aventurar na região minhota de Ponte de Lima. A quinta manteve uma atividade agrícola persistente, produzindo, à época, vinho para terceiros. Após a revolução de abril, período durante o qual a família se viu obrigada a transladar-se para a quinta, e com a alteração do tecido social da região e o despertar do setor cooperativo, a quinta passou a entregar as uvas na Adega Cooperativa de Ponte da Barca, destino que se manteve durante as décadas de 80 e 90 do século passado.

Encaixada no vale do rio Lima que se espraia a pouco mais de dois quilómetros da propriedade, a Quinta do Casal do Paço, nome formal da casa que dá corpo aos vinhos Aphros, ergue-se orgulhosa entre uma paisagem coberta por árvores centenárias, protegida por carvalhos, acácias, castanheiros, eucaliptos e pinheiros de porte avantajado. A quinta, que está na posse da família desde o século XVII, permitiu que Vasco Croft materializasse a sua paixão de criança, o vinho, associando-lhe os valores éticos e filosóficos que desde cedo nortearam a sua vida, os princípios da antroposofia, praticando uma viticultura que segue à risca os preceitos da biodinâmica segundo as suas convicções mais íntimas da comunhão entre o homem e a natureza.

 

E foi imbuído desse espírito, da vontade de fazer vinho de forma natural e de recuperar a vocação da quinta de família, que Vasco Croft tomou a decisão de começar a produzir o seu vinho, apostando na criação de uma marca, de uma filosofia, de um conceito que transformasse os vinhos da quinta em algo único. Pela sua ligação íntima à antroposofia e a todos os movimentos articulados, da educação à arte, da medicina à agricultura, o caminho pela intervenção biológica foi assumido como causa natural desde o primeiro instante. Vasco Croft assumiu o desejo de fazer algo diferente e de recuperar as duas grandes castas da sub-região de Ponte de Lima, o nas castas tintas. Aconselhado a desprezar o Vinhão não teve porém dúvidas em acolhê-lo, apesar dos gritos de alerta que o advertiram de esta ser uma casta tinta rústica, difícil e de compreensão delicada para todos os não minhotos. Convicto das suas decisões, Vasco Croft não esmoreceu, assumindo as castas locais como suas, como as que estariam mais adaptadas naturalmente ao terroir, as mais apropriadas à persecução dos seus objetivos. Em boa hora o fez, porque o Aphros Vinhão conseguiu resgatar a casta da etiqueta de rudeza e rusticidade que lhe estavam coladas de forma quase indelével, oferecendo-lhe uma face de beleza, frescura, suavidade e carácter que poucos lhe conheciam, acrescentando ainda a longevidade, uma propriedade que poucos adivinhavam nesta casta minhota. Os rendimentos são quase insignificantes, de pouco mais de quatro toneladas por hectare, exprimindo de forma fiel o terroir da quinta.

 

Ora, se nos primeiros anos ainda se sentia a juventude e incerteza de um projeto arrojado, a necessidade de apalpar terreno, de ganhar confiança, de as vinhas ganharem sapiência, sentiu-se que pela primeira vez os vinhos Aphros chegaram à fase de maturidade, atingindo o nirvana da casta Vinhão, maturando na qualidade, apresentação, consistência e consistência. Um projeto renovador para a região do Vinho Verde que mostrou que as castas mal-amadas poderão ser tão interessantes como as variedades mais sonantes e que os preconceitos podem ser questionados, levando a agricultura biodinâmica para um dos climas onde esta seria aparentemente menos aconselhável. E acima, produzindo bons vinhos que dão muito prazer beber!

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